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SAÚDE

O que é TDAH?, por Dra. Caroline Cortez Bitar de Ataíde Moura

“Doutora, meu filho não para um segundo” ou “Meu filho não espera terminar a pergunta e já está respondendo”.

“Doutora, a professora reclama que minha filha parece não prestar atenção na aula, ou, a professora fala que meu filho (a) sempre está conversando ou levantando da carteira”.

Será que ele é HIPERATIVO ou DESATENTO?

A hiperatividade, desatenção e impulsividade pode acontecer em todas as crianças por um período transitório. Quando esses sintomas começam a afetar o desenvolvimento e funcionamento normal da criança, podemos estar diante de uma criança com Transtorno de Déficit de Atenção e Hiperatividade (TDAH).

O TDAH é um dos transtornos mentais mais comuns entre crianças e adolescentes, a prevalência em torno de 5%. Em geral, inicia na fase pré-escolar , por volta dos 4 anos, os primeiro sintomas disfuncionais já aparecem.

A característica do TDAH é um padrão persistente de desatenção e/ou hiperatividade-impulsividade. A desatenção manifesta-se como falta de persistência, dificuldade de manter o foco e desorganização. A hiperatividade refere-se à atividade motora excessiva não apropriada, remexer, batucar ou conversa em excesso, A impulsividade manifesta-se por dificuldade em aguardar a “sua vez em falar ”, em jogos e brincadeiras ou ao atravessar a rua, agir sem pensar, dar respostas imediatas (está sendo certa ou errada). Além de, baixa tolerância à frustração, irritabilidade, labilidade do humor, baixo rendimento escolar.

O TDAH está relacionado a fatores genéticos em 76% dos casos.Mas fatores ambientais, genéticos e biológicos estão associados ao aumento do risco de desenvolvimento do transtorno.

O diagnóstico é exclusivamente clínico e pode seguir tanto os critérios do DSM-5 (Manual Diagnóstico e Estatístico de Transtornos Mentais - 2014) como do CID10 (Organização Mundial de Saúde, 1993). O estágio de desenvolvimento da criança, a persistência dos sintomas, prejuízos significantes na função social, acadêmica ou profissional, são considerados na avaliação clínica. Estudos mostram a importância de tratamento com medicamentos estimulantes e intervenções comportamentais. O tratamento não-farmacológico ou o farmacológico é baseado na idade do paciente, perfil de sintomas,, gravidade do transtorno, efeitos colaterais, adesão ao tratamento, comorbidades, preferência dos pais e da criança, acesso à medicação e a disponibilidade de terapeutas capacitados.

Os pais podem não aceitar um diagnóstico de TDAH pelo fato de que a criança é capaz de focar em tarefas específicas como jogar videogame, assistir televisão ou em determinadas situações. Vale ressaltar que a motivação, a atratividade de uma tarefa para a criança, além do ambiente, influenciam na manifestação dos sintomas. O retardo no início do tratamento causa prejuízo no desempenho escolar, nas interações sociais, estresse em ambiente familiar. Além de maior probabilidade em desenvolver transtorno de conduta na adolescência, transtorno de personalidade antissocial na vida adulta, aumentando, assim, a probabilidade de transtornos por drogadição.

Dra. Caroline Cortez Bitar de Ataíde Moura. Pediatria e Neuropsiquiatria da Infância e Adolescência. Atende no Centro Clínico e Diagnóstico São Pio X. Telefone: (62) 3307-1505 e 99962-6052

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