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PRIMEIRA LEITURA

Secretaria de Educação cria 840 cargos temporários e diz que concurso está mantido

Em decreto, o governador de Goiás José Eliton aumentou o número de cargos temporários na Secretaria de Estado de Educação, Cultura e Esporte (Seduce). No total, são 840 novas vagas, 224 delas destinadas para funções administrativas e 616 para professores. Assim, o governador alterou o decreto do ano passado por este último divulgado ontem no Diário Oficial do Estado, passando de 18.571 temporários para 19.411 ao todo.

O titular da Seduce, Marcos das Neves, disse que, apesar da criação de mais espaço para temporários, o concurso público com 900 vagas para professores ainda deve ocorrer. O último foi anunciado há mais de um ano e ainda não saiu do papel. O salário base inicial deverá ser de R$ 3.126,34, para uma carga horária de 40 horas. “Esse concurso está em andamento e está sob os cuidados da área jurídica para ser liberado. Nós esperamos que ele seja liberado ainda neste primeiro semestre, mas dependemos dos trâmites legais”.

O secretário justificou que a elevação no número de temporários se deve a quatro fatores. O primeiro, é que houve um aumento de aproximadamente 10 mil alunos na rede estadual de um ano para o outro. “Geralmente o número de alunos vinha diminuindo nos últimos anos, excepcionalmente nesse aumentou. Isso porque Goiás atrai muitos migrantes em locais que existem grandes empresas. E dessa vez esse fenômeno ocorreu em municípios diferentes. Se fossem somente em alguns, você poderia otimizar as turmas, mas como estão divididos tivemos que abrir mais salas e contratar mais professores”.

O segundo é a criação de mais escolas em tempo integral. A Seduce informou que entre 2017 e este ano foram criadas mais 47 novas escolas em tempo integral. “Quando se abre uma unidade assim, em uma escola com mil alunos, sendo 500 de manhã e outros 500 de tarde, ela passa a ter somente 500 nos dois períodos. O restante de alunos que não ficaram nessa escola irão ocupar os espaços em outras, fazendo aumentar o número de turmas e de professores necessários”, explicou.

Outra questão é a inauguração de 16 escolas no Entorno do Distrito Federal que, conforme Marcos das Neves, demandaram novas turmas e acréscimo de professores, além dos profissionais que se aposentaram.

Os contratos temporários terão duração de três anos. Os salários serão de R$ 1.314,97 para professores nível médio e de R$ 1.753,31 para professores nível superior. Ambos receberão um auxílio alimentação no valor de R$ 500.

O secretário Marcos das Neves relatou, também, que os principais déficits de profissionais da Seduce estão nas disciplinas de física, química, matemática e biologia.

 

Déficit

Para a presidente do Sindicato dos Trabalhadores em Educação de Goiás (Sintego), a professora Bia de Lima, o decreto do governador representa uma faca de dois gumes. “Por um lado os professores que estavam trabalhando sem receber por questões burocráticas, agora terão seus contratos formalizados. E em outros lugares estavam faltando profissionais, ou seja, existiam alunos sem professores. E eles estão atrasados porque já estamos quase no fim do semestre. Há um prejuízo irreparável”, disse. “Já por outro é ruim porque o Estado continua economizando nas costas dos temporários. Trabalham e recebem menos que os concursados. E se existe um déficit, deveria ter mais concursos”.

A presidente lembra que concurso para professores não são realizados há oito anos e para administrativos já se passaram 20 anos. “E o déficit ainda é grande, mesmo com o anúncio de mais 900 vagas para professores. Faltam 8 mil professores na rede e 7 mil administrativos”, estima.

A saída, segundo ela, era promover mais concursos públicos para suprir a falta de profissionais na rede estadual. “Esperamos que esse último anunciado saia logo. Mas, mesmo em ano de eleição, o edital foi lançado no ano passado, então não haverá problema. Agora, pensando nas provas e no andamento do processo, infelizmente os aprovados só serão chamados no ano que vem”.

Da Redação com OP

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