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PLANTÃO POLICIAL

Morte de casal em Campo Limpo abala meio rural goiano

Familiares e amigos sepultaram ontem (8) o casal Leandro Canedo Guimarães dos Santos, de 78 anos, e Darci Prado Canedo Guimarães dos Santos, de 76. O assassinato, na noite de terça-feira (6), chocou o meio agropecuário de Goiás. Eles foram mortos no sítio onde moravam, Estância Leda, às margens do Ribeirão João Leite, no município de Campo Limpo.

Leandro Canedo era um dos nomes mais conhecidos e respeitados na equinocultura brasileira. Médico veterinário, ele foi diretor da Sociedade Goiana de Pecuária e Agricultura (SGPA), participou da criação de núcleos de diversas raças de cavalos em todo Brasil, foi presidente e atualmente era diretor técnico do Núcleo de Goiás da Associação Brasileira de Criadores de Cavalos da Raça Mangalarga.

Os corpos do casal foram encontrados somente na manhã de quarta-feira, no próprio sítio, mais de 12 horas após o crime, com sinais de esfaqueamentos. Na manhã desta quinta-feira, enquanto Leandro e Darci eram velados em Goiânia, foram presos em Luziânia, no Entorno do Distrito Federal, o caseiro Milton Isturário Vieira e sua mulher, Rosane Patrícia Rodrigues. O irmão de Milton, Ademilson Isturário Barbosa, foi detido em Brasília. O trio é suspeito de matar o casal com requintes de crueldade e de roubar bens da estância, entre eles o carro da família. O corpo de Leandro estava no curral da propriedade e o de Darci no interior da residência. De acordo com a polícia, os três confessaram o crime.

Embora fossem proprietários de uma casa no Setor Jaó, em Goiânia, Leandro e Darci moravam há três anos no sítio onde criavam cavalos mangalarga e possuíam um centro de treinamento de equinos. Luiz Arnaldo Borges, que praticamente foi criado pelo médico veterinário, contou que o caseiro Milton Isturário trabalhou no sítio há alguns meses. “Desavenças financeiras entre eles motivaram os crimes”. Aposentado da Secretaria de Agricultura do Estado de Goiás, Leandro era renomado na equinocultura, tanto como criador quanto como instrutor e jurado de competições.

Servidor do Tribunal Regional Eleitoral, Antônio Celso Ramos Jubé, autor do livro O Cavalo Mangalarga em Goiás e muito próximo do casal, esteve na Estância Leda logo que soube da tragédia. “Eles foram degolados e morreram à míngua. Leandro tinha facadas no corpo inteiro. Antes de fugir os assassinos soltaram todos os cavalos que foram reunidos com a ajuda de criadores amigos da região”, relata.

Por causa dos ferimentos, os corpos foram velados com caixões lacrados. O casal não tinha filhos juntos. Leandro era pai de quatro filhos - dois casais - que vivem no Rio de Janeiro e nos Estados Unidos e Darci teve três filhos.

Em seu livro, Celso Ramos Jubé dedicou um capítulo inteiro a Leandro Canedo, a quem considerava uma “enciclopédia do cavalo”. “Foi ele que selecionou nos Estados Unidos cavalos de milha a pedido do então governador Leonino Di Ramos Caiado”, contou sobre o administrador de Goiás entre 1973 e 1975. Leandro Canedo e Darci também tinham vínculos com o Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar) onde em várias ocasiões ministraram cursos. Ele repassando conhecimentos como médico veterinário e ela no segmento de defumados.

 

Homenagem

Em meados de outubro Leandro Canedo foi um dos homenageados na Câmara Municipal de Goiânia pelos 30 anos do Núcleo de Goiás da Associação Brasileira de Criadores de Cavalo da Raça Mangalarga, do qual foi um dos fundadores. A sessão especial foi proposta pelo presidente da casa, Andrey Azeredo. A SGPA divulgou uma nota lamentando a morte do casal. Os corpos foram velados na Casa Funerária Paz Universal, no Setor Coimbra, e sepultados na tarde desta quinta-feira no Cemitério Parque Memorial, na GO-020.

 

Sereno nasceu na Estância Leda

Os crimes bárbaros foram lamentados pela cantora Paula Fernandes numa rede social. Ela postou a foto de Sereno, o garanhão de pelagem pampa que nasceu na Estância Leda, originário de uma égua de Leandro Canedo e de um garanhão de Antônio Celso Jubé, e vendido à cantora em 2014. “Estou de coração partido”, escreveu Paula Fernandes. O cavalo foi registrado como Irerê da Lira, já que o sufixo de criador do médico veterinário é Da Lira. Seus animais eram marcados com uma lira (instrumento musical). 

A cantora batizou o animal com o nome de fantasia Sereno. Foi com esse cavalo que a artista participou da cavalgada “Do Sertão ao Mar, pelos Caminhos da Estrada Real”, no ano passado. A tropa saiu de Diamantina (MG) e percorreu quase 1,8 mil quilômetros até o Rio de Janeiro. Paula Fernandes fez 43 quilômetros do percurso.

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Da Redação com O Popular

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