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PLANTÃO POLICIAL

Regalia II: Operação contra crimes na administração penitenciária em Goiás

Um esquema de corrupção que beneficiava detentos da Unidade Prisional de Anápolis liderado pelo supervisor de segurança e com participação do diretor e de outros servidores e ex-funcionários foi desmontado pelo Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) e tornado público na manhã de ontem (21), conforme já publicado pelo JORNAL DO VALE durante Operação Regalia II. Os presos tinham acesso a drogas, celulares, garotas de programa, boates e até motel em troca de pagamento. Onze pessoas foram presas, entre elas o diretor Fábio de Oliveira Santos e o supervisor de segurança Ednaldo Monteiro da Silva, que seria o líder do esquema. A arrecadação do grupo ultrapassaria R$ 1 milhão, de acordo com a investigação.

O supervisor de segurança utilizava da posição privilegiada que tinha, como segundo no comando do presídio, para liberar a entrada drogas e fazer negócios com os presos. Conforme depoimentos, mensalmente o presídio era abastecido por 20 quilos de maconha e 1 kg de crack. Para facilitar a entrada dos entorpecentes, o grupo aplicava planos elaborados, como a entrega aos detentos – no dia dos namorados – de buquês de flores recheados de drogas, sem qualquer revista prévia. Cestas de café-da-manhã e outros produtos também eram entregues sem qualquer supervisão. E estes produtos eram comprados na floricultura no nome de familiares de Monteiro.

Além dos agentes, a organização do esquema também contava com a participação dos presos Wanderson Rithiele Assis Santana, conhecido por Bola, e Leonaldo Cândido Correa, chamado de Folião. Os dois seriam os responsáveis pelo tráfico de droga, distribuição dos celulares e ponte entre os demais detentos e os agentes, segundo o Ministério Público.

Os presos tinha passe-livre para fora do prédio e pagavam por saídas para boates e visitas a familiares. No caminho os agentes paravam em bancos para que os beneficiados fizessem os saques que custeariam esses passeios.

A relação oficial de preços dos benefícios não foi divulgada, mas segundo informações de presidiários ouvidos pelo MP, a comercialização era livre dentro das celas, tanto de celulares, que chegavam a mil reais, quanto de bebida alcóolica, onde uma lata podia custar R$ 30. Os detentos podiam pagar até R$ 5 mil pelo uso de uma das celas da unidade.

Os abusos são confirmados em todos os depoimentos. “Carnaval na cadeia é melhor do que na rua, pois lá tem cachaça, maconha. Que a cadeia é uma colônia de férias para quem quer ficar preso. Que lá tem academia, DVD, home theater e carne para assar”, teria dito um depoente.

O presídio passou por uma revista policial de manhã desta terça-feira que encontrou celulares, armas, drogas e trinta mil reais em dinheiro. A Polícia Civil e o Grupo de Atuação Especial de Combate ao Crime Organização (Gaeco) cumpriram mandatos em outros vinte pontos da cidade, entre eles casas de presos, familiares e empresas.

 

Esquema pode se repetir em cadeias de todo Estado

A Polícia Civil que investiga o esquema de corrupção por benefícios no sistema prisional de Goiás trabalha no caso há um ano e acredita que o esquema se repita em outras cidades. Antes da deflagração da segunda fase da Operação Regalia ocorrida ontem (21), três agentes penitenciários haviam sido presos em Aparecida de Goiânia após receber R$ 6 mil de um detento por uma visita fora do presídio.

A compra do encontro com os familiares fazia parte de um sistema de favorecimento que chamou a atenção do Ministério Público do Estado de Goiás (MP-GO) após denúncias anônimas e movimentações suspeitas. Em Anápolis, um motel com cama, bebidas, chocolates e televisor dentro do presídio foi descoberto em março durante investigação.

“O motel era de uso dos próprios presos. Um cômodo foi reformado para que eles pudessem encontrar as mulheres trazidas. Esses esquemas, como o de Aparecida e Anápolis, não tem relação direta, mas nós acreditamos que aconteçam em outros municípios”, declarou a delegada, Carla de Bem Monteiro, responsável pelo caso.

Apesar do padrão e proximidade entre as fases da operação, o presidente do Sindicato dos Agentes de Segurança Prisional de Goiás, Maxsuel Miranda das Neves, diz que essa não é uma ação comum e que não condiz com a conduta ética da profissão. “Somos um braço da Justiça e devemos ser como água e óleo. Podemos estar juntos, mas sem nos misturar”, disse.

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